Carste 2007: falta menos de um mês!
Menos de 30 dias nos separam agora do Carste 2007, II Encontro Brasileiro de Estudos do Carste, que ocorrerá de 26 a 28 de Julho no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo. Os 52 trabalhos apresentados foram revisados e aprovados pela Comissão Científica nas diversas áreas da espeleologia, como biologia (10), geologia e paleoclima (25), arqueologia (1), manejo e conservação (8), levantamento espeleológico e técnicas relacionadas (7), história da espeleologia (2). A lista completa dos trabalhos será disponibilizada brevemente na página do evento.
Não perca essa chance: inscreva-se já e venha participar conosco desse importante momento da espeleologia brasileira!
Inscrições on line no site do evento: www.redespeleo.org.br/eventos/carste2007 |
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Duas novas cavidades são localizadas em Rondônia
Por Leda Zogbi - Grupo Pierre Martin de Espeleologia
De 15 a 17 de junho, estive em Porto Velho e, como de costume, me preocupei em levantar previamente as eventuais referências de grutas que poderiam ser localizadas na região. Por intermédio do geólogo da CPRM Gilmar Rizzotto, tomei conhecimento que uma jornalista da Rede Globo local, Andréia Fortini, havia descoberto uma pequena gruta em Candeias do Jamari, município que se encontra a 20 km de Porto Velho. A jornalista se dispôs a nos acompanhar até a gruta, desde que pudesse fazer uma reportagem para o seu Jornal. Fomos então Gilmar, a equipe da Rede Globo e eu conhecer a famosa Caverna Dourada. O acesso é feito pelo leito de um pequeno riacho dentro da mata Amazônica, que percorremos por uns 15 minutos. Em alguns trechos o riacho forma um pequeno cânion. Chegamos rapidamente à entrada da gruta, que se abre em um talude na margem direita do riacho. A gruta de 35m foi formada em laterita, rocha rica em óxido de ferro, em um conduto único, com aproximadamente 1,8 m de altura e 2,5 m de largura. A fauna da caverna é bastante diversificada: pudemos observar centenas de grilos, dezenas de amblipígios, alguns morcegos e uma grande barata cavernícola. Depois do trabalho da equipe de jornalismo, fizemos o mapeamento da gruta mesmo sabendo que a rocha interfere diretamente no magnetismo da bússola, distorcendo os resultados e que no caso de um manejo da região, um novo mapeamento deverá ser realizado com métodos apropriados. No dia seguinte estive com o biólogo Gilson Santana no Parque Ecológico, uma reserva que se encontra no próprio município de Porto Velho. Lá encontramos outra gruta em laterita, a Gruta do Parque Ecológico 1, que apesar de se encontrar dentro da área de visitação turística do parque, aparentemente nunca havia sido visitada, pois um teto baixo logo na entrada da caverna aliado aos morcegos que saem da sua boca devem assustar os visitantes do parque. Depois desse teto baixo, abrem-se dois salões separados por um segundo teto baixo. No segundo salão localizamos uma grande colônia de morcegos e muito guano. A fauna desta caverna também é bastante rica. As medidas resultaram em um desenvolvimento de 62 m. As duas cavernas integrarão o cadastro de cavernas de Rondônia no Codex, que passará de 12 para 14 cavernas cadastradas. Soubemos que havia uma segunda caverna no Parque Ecológico, mas após 4h de buscas na mata, desistimos momentaneamente da empreitada. A reportagem sobre a Caverna Dourada foi veiculada no Jornal local Amazônia TV. |

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Ondas eletromagnéticas mapeiam a Toca da Boa Vista
Por Ezio Luiz Rubbioli - Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas
A Toca da Boa Vista e a Toca da Barriguda (Campo Formoso, BA) foram objeto de um estudo inédito em cavernas brasileiras: o mapeamento através de ondas eletromagnéticas. O método consiste no posicionamento de um transmissor dentro da caverna emitindo uma onda que atravessa toda a espessura da rocha e pode ser captada na superfície. Uma vez localizada pode-se determinar com precisão o ponto correspondente e a sua distância do foco transmissor, ou seja, a profundidade da caverna. O equipamento (UGPS - Underground GPS) para realização dessas medições não existe no Brasil e foi cedido através de um termo de cooperação do Grupo Bambuí com o Institut Suisse de Spéléologie et de Karstologie através do espeleólogo suíço Rémy Wenger.
Embora possa parecer um trabalho simples, a logística e tecnologia envolvida neste processo limitam o seu uso em larga escala em outras cavernas. A começar pelo relevo. Caso a gruta esteja inserida em um local muito acidentado ou com uma densa vegetação as medições tornam-se muito complicadas. Felizmente no primeiro quesito a Toca é privilegiada. O desnível total em toda a sua extensão não passa de uma dezena de metros. A caatinga, já bastante alterada na região, também não chegou a ser um problema na maioria dos pontos. Outro detalhe que deve ser bem observado é a programação para as leituras. Um rigoroso cronograma com horários de medições e deslocamentos deve ser elaborado previamente a fim de sincronizar os trabalhos dos espeleólogos que atuam dentro e fora da caverna. Neste sentido tínhamos o auxílio do rádio de caverna Nicola (de fabricação francesa) que permitiu manter a comunicação entre as equipes. Para verificar a precisão do aparelho e o possível erro no posicionamento da antena, em cada galeria escolhida sempre realizamos duas leituras próximas. Através da medição da distância, azimute e inclinação entre elas no interior da caverna e os respectivos pontos na superfície é possível verificar o erro no posicionamento das bases. Além de todos esses cuidados é imprescindível que se tenha um conhecimento profundo da caverna e do equipamento.
Os desdobramentos deste levantamento são inúmeros, mas de imediato temos a possibilidade de verificar o erro acumulado ao longo das centenas de poligonais e mais de 12 mil bases que formam a complexa rede labiríntica da Toca. Com 107 km topografados em 20 anos de trabalho a noção que tínhamos até então da confiabilidade do mapeamento era baseada nos erros calculados no fechamento das poligonais. Ou seja, um valor matemático obtido através de um programa de computador e que na prática, devido à ausência de pontos de amarração, são difíceis de serem verificados. Com estas novas bases "transportadas" para a superfície pretendemos realizar uma topografia com Estação Total obtendo marcações precisas para um ajuste de toda a cavidade. Uma primeira verificação com o GPS nos permite ter uma certeza: o mapeamento da Toca está melhor do que imaginávamos.
Maiores informações nas próximas edições de “O Carste”. |



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Chineses encontram panda pré-histórico
Um grupo de paleontólogos chineses encontrou fósseis do que seria o mais antigo ancestral conhecido dos pandas modernos. A espécie viveu há cerca de 2 milhões de anos e representa o primeiro animal do tipo a ter um porte similar ao da versão moderna desses animais (Ailuropoda melanoleuca). Antes da descoberta do novo fóssil, a espécie, chamada Ailuropoda microta, era conhecida apenas por alguns dentes e cacos de ossos. A equipe, liderada por Qizhi Zhu, da Universidade de Pequim, localizou o primeiro crânio desse animal. Os novos ossos fossilizados, descobertos na caverna Jinyin, no sudeste chinês, ajudam a estabelecer detalhes dessa linhagem. Com o estudo, os pesquisadores demonstraram que, desde aquela época, a família já possuía alguma adaptação dentária para comer bambus, alimento que prevalece na alimentação dos pandas modernos. O estudo foi publicado na edição de junho da revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
Fonte: www.g1.com.br, 19/06/2007 |
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Bombeiros realizam treinamento de Primeiros Socorros para membros do GPME
Por Ericson Cernawsky Igual e Leda Zogbi - GPME
Entre os meses de Abril e Maio, integrantes do Corpo de Bombeiros da Unidade Vila Mariana realizaram um treinamento de Primeiros Socorros com duração de 30 horas/aula para 19 membros do GPME - Grupo Pierre Martin de Espeleologia. O treinamento foi ministrado por dois Oficiais Bombeiros da unidade e contou com a colaboração de mais cinco integrantes da corporação, entre eles sargentos, soldados e oficiais, além de um médico do SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.
Foram repassadas as técnicas e procedimentos de abordagem e atendimento à vítima, análise de segurança local, o método "ABCDE" que compreende uma seqüência lógica de atendimento e análise da vítima, as precauções universais e a utilização de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) adequados nos atendimentos, técnicas de RCP (Ressuscitação Cardio Pulmonar), imobilização, entre outras técnicas utilizadas no universo do socorrismo.
Além da preocupação direta com a segurança da equipes nas atividades em campo, o treinamento teve grande ênfase na questão dos deslocamentos e viagens, considerando que o maior número de acidentes com espeleólogos está diretamente relacionado com acidentes rodoviários.
Por outro lado, um integrante do GPME participou em Junho de um treinamento de técnicas verticais do mesmo Corpo de Bombeiros, ministrando uma aula teórica sobre os diferentes equipamentos e materiais relacionados à técnicas verticais existentes no mercado, nem todos conhecidos e utilizados pelos bombeiros.
O intercâmbio entre os grupos de espeleologia e o Corpo de Bombeiros deveria ser promovido sempre que possível, pois a troca é extremamente rica para ambos os lados, já que as duas atividades possuem diversas afinidades e interesses em comum. O GPME vem mantendo uma relação bastante próxima com os bombeiros no último ano, e o resultado disso foi extremamente positivo para o Grupo, inclusive com a adesão de alguns bombeiros que têm se mostrado excelentes espeleólogos. Esperamos manter por muito tempo esta relação. |
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Tremor de terra é vivenciado dentro de caverna no Vale do Peruaçu
Por Augusto Auler - Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas
As 12h31 do dia 24 de maio do corrente ano, alguns pesquisadores que se encontravam no interior da Lapa do Carlúcio, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (Januária/Itacarambi, MG) vivenciaram uma experiência única em se tratando de cavernas brasileiras (e bastante rara em termos mundiais). Um abalo sísmico com epicentro precisamente na região foi sentido pela equipe. Segundo o geógrafo Daniel Corrêa percebeu-se um forte estrondo seguido de uma intensa propagação de onda na rocha que deve ter durado por volta de 5 segundos. A sensação de tremor foi clara. Dois ou três estrondos foram sentidos dentro dos 10 minutos seguintes. A equipe só teve certeza de que se tratava de um abalo sísmico quando, no retorno da caverna, entraram em contato com os assustados moradores locais que reportaram o tremor. O Observatório Sismológico da Universidade de Brasília acusou o abalo, que registrou 3,5 graus na escala de Richter. As causas são ainda desconhecidas. O abalo não fez vítimas, mas deslocou telhas, derrubou objetos de prateleiras e causou muita apreensão na região. |
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Buraco negro na superfície de Marte pode ser profundo abismo
Uma imagem captada pela câmera HiRISE voltada para a exploração da superfície do planeta vermelho mostrou um ponto negro em uma planície de lava próxima a Arsia Mons, um dos quatro vulcões gigantescos de Tharsis. O buraco definitivamente não é uma cratera de impacto de meteorito. Especula-se que se trate de um gigantesco abismo com mais de 100 m de diâmetro com paredes verticalizadas (ou em negativo). A profundidade deve ser grande, já que a luz do brilhante céu de Marte não consegue atingir o fundo.
Fonte:http://hirise.lpl.arizona.edu/PSP_003647_1745 |
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PRODUÇÃO CIENTÍFICA
Publicado mais um estudo sobre paleoclima brasileiro
Cruz Jr., FW; Burns, SJ; Jercinovic, M; Karmann, I; Sharp, WD; Vuille, M. 2007. Evidence of rainfall variations in Southern Brazil from trace element ratios (Mg/Ca and Sr/Ca) in a Late Pleistocene stalagmite. (Evidência de variações de épocas chuvosas no Sul do Brasil evidenciada pelas proporções de Mg/Ca e Sr/Ca em uma estalagmite do Pleistoceno Tardio). Geochimica et Cosmochimica Acta, Vol. 71, p. 2250-2263
Este artigo constitui uma importante contribuição a respeito das alterações climáticas durante os últimos 116 mil anos no sudeste do Brasil. A partir de uma estalagmite coletada na caverna de Botuverá em Santa Catarina os autores, liderados por Cruz Jr. (mais popularmente conhecido como Chico Bill), pesquisador da Universidade de Massachussetts e da USP, utilizaram teores de Ca/Mg e Sr/Ca, correlacionados a isótopos de oxigênio, para inferir que a região em apreço foi, em geral, mais úmida entre 70 - 17 mil anos atrás. Para maiores informações, uma cópia digital do artigo pode ser obtida com o autor principal em: cbill@usp.br. |
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Encontrados enfeites mais antigos do mundo
Conchas perfuradas encontradas numa caverna calcária no leste do Marrocos são os adornos mais antigos já encontrados e mostram que os humanos usavam símbolos na África 40 mil anos antes de o fazerem na Europa. As pequenas conchas ovais do molusco Nassarius, algumas delas tingidas com ocre vermelho, provavelmente foram perfuradas para serem usadas em pulseiras ou colares, 82 mil anos atrás. A descoberta representa um passo grande na compreensão das inovações culturais e do papel que elas exerceram na história humana.
O Marrocos já rendeu outras descobertas pré-históricas importantes, incluindo um dos mais velhos esqueletos de dinossauro dos quais se tem conhecimento, mas sabe-se pouco sobre os humanos que habitaram a região antes dos agricultores berberes se fixarem nela, mais de 2.000 anos atrás.
As conchas foram encontradas e datadas por uma equipe de cientistas do Marrocos, Grã-Bretanha, França e Alemanha que procurava determinar como mudanças no clima e na paisagem afetaram o comportamento humano entre 130 mil e 13 mil anos atrás. O trabalho faz parte de um estudo mais amplo que procura descobrir se o estreito de Gibraltar, que separa o Marrocos da Espanha, atuou como corredor ou como barreira para os humanos primitivos em seus deslocamentos entre a África e a Europa.
Fonte: Reuters 06/06/2007 |


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Estátua de mamute de 35 mil anos é descoberta na Alemanha
Uma estatueta de um mamute muito bem preservada, feita há 35 mil anos, foi descoberta por arqueólogos alemães na caverna Vogelherd, informou a Universidade de Tubingen, na Alemanha meridional. A peça, um dos objetos artísticos mais antigos produzidos pelo ser humano, foi encontrada nas escavações de uma equipe de especialistas guiada pelo professor Nicholas Canard. Na década de 1930, na caverna Vogelherd foram achados 11 pequenos objetos de arte em mármore, entre os quais um cavalinho de quase cinco centímetros de comprimento, um hipopótamo e alguns mamutes. Em 1999, foram descobertas pinturas rupestres na mesma gruta.
Fonte: www.ansa.it/ansalatinabr, 18/06/2007. |
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Expediente
Comissão Editorial:
Allan Calux, Augusto Auler, Leda Zogbi.
Correspondentes:
Ericson Cernawsky Igual (GPME) e Thiago Lima (GBPE).
Revisão:
Renata Andrade
Diagramação:
Carlos H. Maldaner.
Logotipo:
Daniel Menin
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