Número 34, 04 de maio de 2006
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  1. Expedição para o norte de Goiás e sul de Tocantins revela enorme potencial espeleológico da área
  2. Carste 2006 de 26 a 27 de julho no IGc - USP
  3. Fundão, a mais nova tributária do Projeto Buenos/Bulhas d'Água
  4. Expedição do GPME continua trabalhos de prospecção e mapeamento em Central, Bahia
  5. Expedição fotográfica a São Desidério, Bahia e São Domingos, Goiás
  6. Inglaterra, Hong Kong e Trinidad Tobago: Mortes em cavernas
  7. Novo grupo espeleológico no Rio Grande do Norte
  8. Expedição no México pode quebrar recorde de profundidade
  9. LEDs Orgânicos: o futuro da iluminação espeleológica?
  10. Jogos mundiais espeleológicos em Sevilha, Espanha
  11. Caverna no Arizona, EUA, é vandalizada
  12. Expediente

Outras Edições


Número 71 - 19.12.2008
Número 70 - 03.12.2008
Número 69 - 17.10.2008
Número 68 - 12.09.2008
Número 67 - 08.08.2008
Número 66 - 03.07.2008
Número 65 - 05.06.2008
Número 64 - 19.05.2008
Número 63 - 19.04.2008
Número 62 - 27.03.2008
Número 61 - 28.02.2008
Número 60 - 24.01.2008
Número 59 - 21.12.2007
Número 58 - 19.12.2007
Número 57 - 29.11.2007
Número 56 - 24.11.2007
Número 55 - 28.09.2007
Número 54 - 27.08.2007
Número 53 - 08.08.2007

Veja as edições anteriores

Expedição para o Norte de Goiás e sul de Tocantins revela enorme potencial espeleológico da área.
Por Leda Zogbi e Augusto Auler

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Foto: Leda Zogbi

De 13 a 23 de abril foi realizada uma expedição, composta por espeleólogos do Grupo Pierre Martin de Espeleologia e do Grupo Bambuí de Pesquisa espeleológicas e pelo espeleo mergulhador Gilberto Menezes, com o objetivo de avaliar o potencial espeleológico de uma área que engloba municípios ao norte de Goiás e sul de Tocantins.

Neste período, a equipe descobriu e registrou 16 novas cavidades, das quais 4 se localizam em Goiás (nos municípios de Divinópolis e Monte Alegre)  e 11 em Tocantins (nos municípios de Novo Alegre, Aurora do Tocantins, Lavandeira e Taguatinga). Dentre as cavernas encontradas, destaque para duas cavernas com vestígios arqueológicos: pinturas rupestres, cacos de cerâmica e até um casco de tartaruga, que pode ter servido de utensílio aos habitantes primitivos. Também foram localizadas duas cavernas relativamente grandes. O “Oco do Rio Manso”, em Goiás, por onde penetra um rio com grande volume de água (talvez um dos maiores sumidouros do Brasil em volume de água), parcialmente mapeada pela equipe e com desenvolvimento estimado em um quilômetro e meio. A gruta é muito ampla, e suas galerias passam, muitas vezes, dos 40m de largura e 20m de altura. A segunda, é a “Gruta dos Caldeirões” em Tocantins, mapeada pela equipe, com 500m de desenvolvimento. A entrada principal é feita pela ressurgência de um rio, também bastante considerável, que cruza a caverna de fora a fora. Os jogos de luz nas duas entradas, o rio e ricas ornamentações (travertinos com água e jangadas, colunas, escorrimentos...), conferem uma beleza muito especial a esta caverna, que recebe esporadicamente visitação turística de habitantes da região.

Além das cavernas encontradas, vale citar a visita a uma serra, a leste de Arraias, com escarpas de calcário exposto, com grandes dobras visíveis a olho nu, que atingem 200 a 300m de altura, realmente impressionantes.

A região promete inúmeras surpresas, tanto na parte de arqueologia, como também na perspectiva de descobertas de cavernas com grandes desenvolvimentos horizontais e verticais.


Carste 2006 de 26 a 27 de julho no IGc – USP

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Participe você também do Carste 2006, II Encontro Brasileiro de Estudos do Carste! O evento será realizado entre 26 e 29 de julho, no Instituto de Geociências da USP, São Paulo. Este encontro bianual, realizado pela primeira vez em 2004 e organizado pela Redespeleo Brasil, representa um dos únicos eventos que reúne a comunidade espelológica nacional interessada no avanço do conhecimento sobre os diversos aspectos das ciências aplicados ao carste.

O principal objetivo do Carste 2006 é realizar um levantamento do "estado da arte" do conhecimento sobre as ciências relacionadas ao estudo dos sistemas cársticos, de forma a subsidiar o planejamento estratégico de unidades de conservação, a utilização sustentável de áreas cársticas de  interesse econômico e também, diagnosticar a necessidade de proposição de ampliação de linhas de pesquisa.

Informações e incrições estão disponíveis neste site.


Fundão, a mais nova tributária do Projeto Buenos/Bulhas d’Água
Por Allan Silas Calux, Grupo Pierre Martin de Espeleologia.

Central
Foto: Alexandre Camargo - Iscoti
Nos dia 21, 22 e 23 de abril, sete espeleólogos do GBPE (Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas), GPME (Grupo Pierre Martin de Espeleologia) e EGRIC (Espeleo Grupo de Rio Claro), realizaram uma importante descoberta na Gruta do Fundão, sumidouro localizado numa imensa dolina no extremo sul de Buenos (PETAR) e Bulha D’água (PEI). Os trabalhos prospectivos fazem parte de um projeto conjunto entre Bambuí e GPME que se realiza desde 2004.

A Gruta do Fundão, cuja drenagem é tributária do Rio Pilões, foi descoberta e cadastrada pelo CAP em meados da década de 70 e teve seu desenvolvimento estimado em apenas 300m.

Contudo, o mapeamento realizado quase triplicou a estimativa do CAP, revelando paleocondutos ainda não explorados, galerias excentricamente ornamentadas, cachoeiras, sifões, macro-travertinos em seqüências incríveis, além de imensos salões com inúmeras possibilidades verticais. E o mais animador de tudo: o conduto ativo continua... Após 12h ininterruptas de mapeamento, os trabalhos foram encerrados sem que a gruta apresentasse sinais de esgotamento.

As características da gruta limitam as explorações aos períodos de seca, e o acesso demanda expedições mais prolongadas do que as tradicionais saídas de finais de semana.

O projeto desenvolvido na área tem revelado incrível potencial de descobertas, com novos ramos de grutas já mapeadas, cujos desenvolvimentos e desníveis vem sofrendo significativos incrementos, bem como trazendo à tona uma série de grutas completamente desconhecidas. O pior e o melhor de tudo isso é que em Bulha reina a neguentropia: quanto mais trabalhamos, mais descobrimos o esforço que ainda teremos pela frente.


Expedição do GPME continua trabalhos de prospeção e mapemento em Central, Bahia.
Por Toni Cavalheiro, Grupo Pierre Martin de Espeleologia.

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Foto: Fabiano Pereira de Jesus

Dando continuidade aos trabalhos realizados desde 2004, na região de Central, na Bahia, de 14 a 22 de abril foi realizada uma expedição composta por cinco espeleólogos do Grupo Pierre Martin de Espeleologia. O objetivo principal era prospectar novas áreas de uma serra de calcário exposto de aproximadamente 40 km2,  localizada entre os municípios de Central e Itaguaçu da Bahia. Em uma primeira investida, a equipe percorreu cerca de 8 km do lado oeste da serra, localizando e registrando cerca de 10 novas cavidades que, apesar de pequenas, eram repletas de pinturas rupestres e vestígios de ocupação humana.

Uma segunda área de prospecção foi a região da Toca de Candeia, localizada ao centro-sul da serra. É nesta mesma região que se encontra a Toca do Facão, a primeira gruta de Central explorada pelo GPME em 2004 (veja edição de "O Carte", julho de 2004). Desta vez foram encontradas oito cavernas, sendo que algumas delas estavam totalmente alagadas devido à época do ano. Em alguns pontos, a água chega a subir cerca de 20 metros, segundo relatos de moradores locais e marcas que pudemos observar nas rochas.

Juntamente com os trabalhos de prospecção, foi mapeada parcialmente a "Gruta do Tonho", no povoado de Pau d'Arco, com desenvolvimento estimado em 800 metros, mas com perspectivas de ampliação. Os trabalhos nesta gruta devem ser concluídos ainda este ano, em uma nova expedição ainda sem data definida.

Todas as informações coletadas foram lançadas em um mosaico de imagens de satélite, o qual está sendo usado para avaliar o potencial da região. Após uma análise preliminar dos dados, podemos concluir que conhecemos apenas 10% da área de Central, que certamente guarda muitas surpresas. A próxima investida será na parte norte da serra, que tem um calcário mais espesso e pode apresentar potencial para cavernas maiores.


 

Expedição Fotográfica a São Desidério, Bahia e São Domingos, Goiás
Por Ezio Rubbioli, Grupo Bambui de Pesquisas Espeleológicas.

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Foto: Ézio Rubbioli

Foi realizada entre os dias 1º e 15 de abril a Expedição "Espeleologia Brasil - Suíça" tendo como principal objetivo a documentação fotográfica. Atraído pela grandiosidade e beleza das grutas da região de São Desidério - publicadas na revista O Carste de janeiro de 2004 - Rémy Wenger entrou em contato com o Grupo Bambuí propondo a realização de uma expedição conjunta e com um objetivo bem específico. Foram 15 dias "vendo" as grutas sob um ponto de vista um pouco diferente das movimentadas expedições de exploração e topografia. Os melhores ângulos, o posicionamento dos flashes e a melhor luz do dia passavam a ser itens mais importantes que a continuação de um conduto inexplorado. Não que a fotografia fosse novidade para qualquer um de nós - muito pelo contrário - mas realmente está foi a primeira vez que esta atividade seria o principal foco da viagem.

Em São Desidério, direcionamos nossas lentes para o Buraco do Inferno da Lagoa do Cemitério, a Garganta do Bacuparí e o Buraco da Sopradeira. Em Goiás dedicamos 4 dias inteiros à Lapa do Bezerra, sem dúvida um das grutas mais ornamentadas do Brasil. Também foram visitadas as grutas São Vicente, Angélica e Terra Ronca.

Rémy está finalizando a edição de um livro que aborda vários aspectos da espeleologia, desde as questões ligadas à parte científica, equipamentos e técnicas até a ligação das cavernas com o homem pré-histórico. A parte final da publicação, chamada de "diário de viagem" trás paisagens subterrâneas de diversas áreas do mundo visitadas pelo autor. As grutas da Bahia e Goiás vão estar lado a lado com cavidades como a Lechuguilla. O lançamento da obra está previsto para setembro na Europa e, com certeza, será uma publicação ricamente ilustrada e com uma edição luxuosa.


 

 

Inglaterra, Hong Kong e Trinidad Tobago: Mortes em cavernas

Nas ilhas britânicas, assim como em boa parte da Europa, muitas descobertas são feitas após escavações e alargamentos de passagens estreitas. Na região de Derbyshire, Inglaterra, no entanto, esta atividade resultou em tragédia. O espeleólogo David Briggs escavava ao fundo de um orifício verticalizado quando uma seção da caverna desmoronou. Os dois colegas que acompanhavam Briggs saíram para buscar resgate, mas não conseguiram impedir a fatalidade. Para a equipe de resgate, a única alternativa para resgatar o corpo foi escavar um poço próximo. Após sete horas e meia de trabalho, conseguiram finalmente atingir o corpo do espeleólogo.

Outro acidente fatal ocorreu em Hong Kong. Um homem de nacionalidade israelense morreu ao ser jogado, juntamente com o seu caiaque, para o interior de uma caverna na região costeira de Shek O. Tanto o corpo quanto o caiaque mostravam fortes sinais de impacto, fazendo supor que fortes correntes marinhas tenham jogado o israelense e seu barco contra as rochas.

Em Trinidad Tobago, um ancião que vivia há mais de 30 anos em uma caverna na beira do mar na região de Arnos, foi encontrado morto. O homem, cuja verdadeira identidade nunca foi descoberta, era conhecido como Swami, e sobrevivia com a venda de artesanato na praia, sendo uma figura bastante conhecida na região. Um mal cheiro emanando da caverna, situada em local de difícil acesso, levou as autoridades até o local, onde jazia o corpo do ermitão.

Fontes: www.bakewelltoday.co.uk 29/03/2006; Ynetnews 02/04/2006; Tobago News 21/04/2006.


Novo grupo espeleológico no Rio Grande do Norte.
Por: Solon R. de Almeida-Netto, Sociedade Espeleológica Potiguar.

No final de 2005, um grupo bastante heterogêneo passou a agregar os amantes das cavernas no Rio Grande do Norte. Imbuídos do mesmo propósito ambiental e respondendo, já àquela época, todos eles como uma verdadeira Sociedade Espeleológica Potiguar, designaram tal nome para a nova entidade, que foi oficialmente fundada em 18 de março de 2006.

Superada essa fase burocrática, os desafios agora são bem maiores, pois é consenso, dentro do novo grupo, que é preciso dar uma cara à espeleologia do RN. A atividade se desenvolve na região há quase vinte anos, mas devido à baixa capacidade organizacional da sociedade civil, uma boa parte dos trabalhos acabou perdida, tendo sido o enorme potencial regional pouco explorado. O alvo maior, portanto, centra-se no fomento sustentável das ações não-governamentais, uma demanda que, infelizmente, ainda está bastante reprimida.

Para tanto, já estão se desenvolvendo movimentos em várias frentes, continuidade, aliás, dos projetos que levaram à legalização do grupo, uma necessidade imposta pelas parcerias que começam a crescer. As áreas de enfoque prioritário são, pelo momento, a documentação, a espeleotopografia e a educação ambiental. Os produtos destes trabalhos, a Sociedade Espeleológica Potiguar pretende, dentro em breve, disponibilizar aos interessados através de um site (em construção) e eventos que congreguem a comunidade espeleológica nacional.


Expedição no México pode quebrar recorde de profundidade

Central

A expedição americana à caverna J2, próxima à Cueva Cheve, no Estado mexicano de Oaxaca, está chegando ao seu final. A expectativa em relação a esta investida é muito grande, já que a J2, descoberta recentemente, já atingiu mais de 1000 metros de profundidade e está se desenvolvendo em direção a um trecho pós desmoronamento e sifão em Cheve, a segunda mais profunda caverna do México.

Durante a expedição de 2005 os espeleólogos interromperam a exploração devido à falta de tempo, já que a galeria descendente prosseguia. Este ano a expedição pretende utilizar energia hidroelétrica para poder recarregar as baterias (para iluminação e furadeiras) no acampamento interno.

Um cuidado especial será tomado na transposição de um desmoronamento a – 1070 m de profundidade. A expectativa é que a caverna se torne a mais profunda gruta do México e, quem sabe, no futuro, a mais profunda do mundo. No entanto, existe uma incerteza com relação ao acesso à caverna, já que os índios Mazatecas manifestaram contrariedade com relação a uma expedição arqueológica americana à região e podem vir a impedir o acesso à caverna.

Fonte: The Gazette   14/04/2006.


LEDs Orgânicos: o futuro da iluminação espeleológica?

O surgimento da iluminação através de LEDs (Light Emitting Diode) revolucionou a iluminação elétrica na espeleologia. Pesquisadores japoneses, alemães e americanos estão, agora, desenvolvendo um tipo de LED que é baseado em películas orgânicas. O estudo, recém publicado na revista Science, menciona protótipos que teriam atingido a luminosidade de 57 lúmens, um valor significativo quando comparado aos 15 lúmens fornecidos pelas lâmpadas incandescentes.

Fonte: La Lettre du Spéléo Club de Paris 243, março 2006.


Jogos mundiais espeleológicos em Sevilha, Espanha

Central

Conforme noticiado no Conexão nº 33, será realizado entre os dias 14 e 17 de setembro de 2006, na cidade espanhola de Sevilha, o SEVILLA 2006, jogos mundiais que incluirão esportes não abrangidos pelas olimpíadas, dentre eles a espeleologia. As competições espeleológicas tratarão de técnicas de progressão vertical em corda e ocorrerão em três modalidades distintas: prova de velocidade, com a ascensão de 30 m em corda utilizando qualquer sistema de subida; prova de resistência, com 120 m de ascensão em corda e um circuito que conterá vários trechos técnicos em corda. A premiação será de 1000 Euros para o primeiro colocado nas duas primeiras modalidades e 1500 Euros para o vencedor do circuito.

Maiores informações podem ser obtidas no site da Federação Espanhola de Espeleologia (www.fedespeleo.com) ou no site do SEVILLA 2006 (www.sevilla2006.com).


Caverna no Arizona, EUA, é vandalizada

Uma importante caverna no estado americano de Arizona, Bloomington cave, foi vítima de recente vandalismo por parte de um grupo de 10 adolescentes. Trata-se de uma das mais importantes grutas da região, situada numa área pertencente ao governo. Os adolescentes entraram com apenas duas lanternas e a área conhecida como “Big Room”, foi encontrada suja, com latas e garrafas de cerveja. Após o incidente, a caverna será fechada com um portão e licenças serão necessárias para visitá-la.

Fonte: The Spectrum 21/03/2006.


RedespeleExpediente

 

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