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BCRA altera sistema de classificação de topografias A British Cave Research Association (BCRA) efetuou uma revisão em seu sistema de classificação de precisão de mapeamentos de caverna. O sistema BCRA é o mais utilizado no Brasil e em todo o mundo. A alteração promovida é pequena, mas gerou consideráveis debates dentro da comunidade espeleológica britânica. O sistema antigo levava em conta a acurácia das medidas de ângulos e distâncias, ou seja, o quanto a medição efetuada pelo topógrafo se aproximava da medida real entre as bases topográficas na caverna. Os autores do novo manual de espeleotopografia da BCRA julgaram que era extremamente difícil avaliar na prática se as medidas obtidas realmente se aproximavam das medidas reais, salvo em cavernas com fechamento de várias poligonais, quando os erros podem ser efetivamente calculados. Na maior parte dos casos não havia como checar se realmente todos os mapeamentos classificados, por exemplo, como grau 5 realmente mereciam sê-lo. O novo sistema leva em conta a precisão do levantamento, ou seja, a capacidade da mesma medida ser reproduzida dentro de determinado nível de precisão. Assim sendo, em um mapeamento Grau 5, a precisão deve ser de 1º em medidas de bússola e clinômetro, ou seja, um mesmo topógrafo deve ser capaz de repetir a mesma medida sendo que a diferença entre estas não exceda 1°. A modificação é sutil mas importante. A classificação do mapeamento pelo novo sistema passa a ser mais dependente da precisão do instrumento e da habilidade do topógrafo, sem importar se as medidas obtidas realmente refletem os ângulos reais entre as estações topográficas na caverna. O novo sistema torna mais simples a avaliação do grau de determinada topografia. Uma equipe bem treinada, que rotineiramente obtenha precisões de 1° durante mapeamentos pode agora, caso utilize bons instrumentos, classificar como Grau 5 todas as suas topografias, mesmo que não haja fechamento de poligonais. Esta é exatamente uma das maiores críticas que o novo sistema tem recebido, pois muitos julgam que este tornou-se menos rigoroso, o que não contribuirá em nada para o aperfeiçoamento dos espeleotopógrafos. O novo sistema de classificação da BCRA é de domínio público e pode ser obtido enviando- se um email para: conexao@redespeleo.org. Fonte: Speleology 2, p.11-13, 2003 Expedição à Toca da Boa Vista 2003/2004 resulta em novas descobertas Aconteceu entre os dias 26 de dezembro de 2003 e 11 de janeiro de 2004 a 20ª Expedição à Toca da Boa Vista, em Campo Formoso, Bahia. O evento já se tornou quase uma tradição no meio espeleológico brasileiro atraindo espeleólogos – 41 este ano – de várias partes do Brasil que buscam no sertão baiano um local para trocar idéias, tomar cerveja, rever amigos e explorar cavernas (não necessariamente nesta ordem).
Este ano as atenções se voltaram para a TBV e a sua vizinha e segunda maior caverna brasileira, a Toca da Barriguda. A topografia e a exploração foram as principais atividades, mas algumas equipes também realizaram observações geológicas e documentação fotográfica. A primeira teve sua projeção horizontal ampliada para 105 km confirmando definitivamente a 11ª colocação entre as maiores grutas do mundo. A Barriguda ultrapassou os 32 km de extensão, embora as possibilidades de se encontrar uma conexão entre as duas cavernas seja cada vez mais remota. A maior novidade este ano foi a descoberta do Salão Enfeitadinho na Toca da Barriguda. Contrariando a secura quase absoluta que caracteriza a caverna, o salão possui água em abundância. Os espeleotemas estão ativos e os travertinos cheios de água. Além disso, o local se destaca bela beleza das estalagmites e a variedade de espeleotemas de aragonita. Resta saber se esta anomalia é um fenômeno temporário (somente este ano) e quais são os mecanismos que facilitam a entrada da água, pois havia chovido pouco na região. Mas uma coisa é certa: no final do ano retornaremos para conferir. Folder divulga ocorrência da aranha marrom no PETAR No dia 18 de dezembro de 2003 ocorreu no Instituto Butantan, São Paulo, o lançamento de um folder divulgando a ocorrência da aranha marrom nas cavernas do PETAR, Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira. O evento foi a conclusão de uma etapa do projeto realizado por pesquisadores do Instituto Butantan, cujo objetivo era fazer um levantamento faunístico da espécie Loxosceles Adelaida (aranha marrom) na região, a caracterização bioquímica do seu veneno e ainda encontrar uma maneira eficiente de divulgar ao público em geral a ocorrência desta aranha.
A picada da aranha marrom geralmente não causa dor, porém o veneno pode provocar edema, dor horas após a picada e escurecimento da pele, sintomas que podem ainda ser acompanhados por febre, mal-estar, vermelhidão em todo o corpo e escurecimento da urina. Esses sintomas podem variar de acordo com a pessoa e espécie de aranha pertencente ao gênero Loxosceles. A caverna é um ambiente que oferece à Aranha Marrom muitos abrigos. Para evitar eventuais picadas, é importante o uso de roupas e calçados adequados, como calça comprida, blusa de manga comprida e sapato fechado. Em caso de picada levar, se possível, a aranha para ser identificada ao dirigir-se a um pronto socorro. Vários exemplares do folder, contendo informações sobre o comportamento da aranha marrom, medidas de prevenção e de primeiros socorros em caso de acidente serão distribuídos nos núcleos do PETAR. Com isso, um maior número de pessoas poderá ter acesso às informações nele contidas e optar por se juntar aos guias, funcionários e comunidade espeleológica para divulgar uma informação que certamente é do interesse de todos. Maiores informações em http://www. butantan.gov.br/infcient_imuqui.htm Nova caverna na Austrália possui quase 2 km de passagens submersas No início de 2003, uma prospecção aérea revelou uma possível nova entrada na planície de Nullarbor (do latim "sem árvores") no sul da Austrália. Esta remota região possui uma série de importantes cavernas subaquáticas com longos e amplos condutos. Esta nova caverna ficou conhecida como Burnabbie Cave. O primeiro mergulho se deu em julho de 2003, mas foi entre o natal e ano novo (2003/2004) que o verdadeiro potencial da caverna foi revelado. O casal tcheco David e Petra Funda, conjuntamente com o australiano Paul Hosie exploraram e mapearam 1800 metros de belas galerias submersas. A profundidade máxima atingida foi 12 metros. Um dos destaques da caverna é a rica fauna troglóbia. Alguns bolsões de ar apresentam uma atmosfera tóxica, devido a altos teores de gás carbônico (CO2) e possivelmente ácido sulfídrico (H2S). A localização da caverna Burnabbie está sendo mantida em sigilo até que esta seja adequadamente cabeada e um conjunto de regras de visitação seja acordado com os proprietários da terra.
Gruta dos Sete Salões é alvo de depredação Segundo os ambientalistas locais, a Gruta dos Sete Salões, importante caverna arenítica no município de Resplendor, região do médio Rio Doce, leste de Minas Gerais, tem sofrido sérios danos ambientais. A caverna é a grande atração do Parque Estadual dos Sete Salões, criado em setembro de 1998, e que ocupa uma área de 12.500 hectares abrangendo os municípios de Resplendor, Conselheiro Pena, Santa Rita do Itueto e Itueto. Segundo o presidente do Movimento Pró-Rio Doce, Paulo Célio de Figueiredo, tem ocorrido pichações nas paredes da caverna e em pinturas rupestres. A depredação, no entanto, não se limita à caverna. Na área do parque tem havido extração ilegal de minérios e madeiras, causados pela fiscalização deficiente e a não desapropriação de pequenos proprietários que ainda vivem em terras do parque. A Gruta dos Sete Salões, além do valor espeleológico e arqueológico, é tida como sagrada pelos índios Krenak. Segundo a lenda, cada salão descoberto daria origem a outros sete salões. Segundo Figueiredo, os índios contam que, após as terras terem sido invadidas pelos brancos, não foi possível localizar o túmulo de Krenak, líder do grupo, e alimentar as suas almas, que se transformaram em onças e habitam o sétimo salão da caverna. Os índios acreditam que os brancos podem percorrer os seis primeiros salões, mas ao tentarem penetrar no sétimo, serão destroçados por Kuparak- Krenk, a onça Krenak. Fonte: Hojeemdia, 12/01/2004. Descoberta nova espécie de escorpião troglóbio no Brasil
Os troglomorfismos mais marcantes são o alongamento do corpo e pinças, e o corpo despigmentado, revestido por uma cutícula extremamente fina, sendo as pernas translúcidas. Este é o primeiro escorpião com características troglomórficas registrado para o Brasil e um dos poucos registrados para a América do Sul. Apesar de possuir olhos bem desenvolvidos, o conjunto de características indica tratar-se de uma espécie troglóbia. Cursos "Introdução à Paleontologia" e "Fósseis em Cavernas" ocorrem em MG Serão realizados no Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães (MMPDG), no mês de Fevereiro, os cursos de "Introdução à Paleontologia" (de 9 a 15/02) e "Fósseis em Cavernas: o encontro da Paleontologia com a Espeleologia" (de 16 a 22/02). Ambos terão palestras ministradas pelo geólogo Leonardo Morato, com a participação do geólogo Marcos Cristóvão Baptista. O "Curso de Introdução à Paleontologia" contará com aulas teóricas no MMPDG e visitas a museus de História Natural em Belo Horizonte no fim de semana, além de saída de campo. Entre os temas abordados estão o estudo dos fósseis no Brasil e no mundo, o debate Criacionismo e Evolução, origem da vida, dinossauros e outros seres pré-históricos, extinções, a origem da espécie humana e outros. O curso de aprofundamento "Fósseis em Cavernas" com saída de campo prevista na região de Lagoa Santa, dará noções de Paleontologia e Espeleologia, para a compreensão de como se preservam os fósseis dentro de cavernas, quais tipos são encontrados e como. É um curso aberto para o público geral, mas que também irá interessar pesquisadores e alunos das áreas de Biologia e Geologia. Mais informações podem ser obtidas no telefone (31) 3271-3415, no MMPDG, ou pelo e-mail gepaleo@yahoo.com.br. As vagas são limitadas. Grã-Bretanha: guia vai a julgamento por morte de recruta em caverna Foi iniciado em Ystradgynlais no País de Gales, o julgamento de Matthew Doubtfire, 33 anos, acusado de homicídio não premeditado pela morte do recruta Kevin Sharman, 17 anos, na gruta Porth-yr-Ogof. Em julho de 2002 o grupo de 11 pessoas entrou na caverna como parte de um treinamento do exército em esportes de aventura. Inicialmente seriam dois guias, mas um deles adoeceu e coube a Doubtfire coordenar sozinho. Matthew Doubtfire é um espeleólogo experiente, que já havia estado em Porth-yr- Ogof 53 vezes. Doubtfire alega que se perdeu no complexo de galerias e sem querer levou o grupo até um trecho de águas profundas (máxima de 7 metros). Sharman, ao tentar nadar, entrou em pânico e começou a se afogar. Tentativas de segurá-lo foram em vão, pois os soldados não conseguiam nadar e ao mesmo tempo manter Sharman na superfície. O recruta foi ao fundo e só foi retirado pelo resgate cerca de 1 hora e meia depois. Kevin Sharman, que estava no exército há apenas 2 meses, havia sido reprovado em um teste obrigatório de natação. O julgamento prossegue e deve durar cerca de 5 semanas. Fonte: BBC News, 14 e 15 de janeiro de 2004.
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